Ilha de Maré é um dos três bairros de Salvador situados na Baía de Todos os Santos e sua ocupação remete às primeiras décadas de formação da cidade. Apesar de ter uma baixa taxa de ocupação, o que lhe confere um caráter rural, este território foi incluído na área urbana municipal em 2008. Sua população é composta majoritariamente por comunidades quilombolas. Como atividades econômicas principais da ilha, predominam aquelas baseadas no contexto marítimo, como a pesca e a mariscagem, além do turismo, pela atratividade de suas belas e tranquilas águas para o banho de mar.
Com 18,5 km de costa, a Ilha de Maré possuía, em 2021, apenas quatro locais de atracação, todos necessitando de melhorias. Os deslocamentos externos ocorrem por meio de embarcações particulares e em horários irregulares. Devido à carência em infraestrutura viária, os moradores utilizam cavalos, bicicletas e motocicletas como meio de locomoção entre as localidades, com a predominância de percursos a pé.
A ilha possui ainda muitas demandas em termos de saneamento e equipamentos de educação, saúde e cultura. Como resultado das precariedades existentes, 7 das 12 localidades habitadas na Ilha de Maré estão enquadradas como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano municipal.
NOSSAS PROPOSTAS
O Plano de Bairro elaborado pela FFA para a Ilha de Maré, através da contratação de assessoria técnica pela FMLF, buscou adequar seus territórios enquanto ambientes urbanos sustentáveis e integrados, considerando em especial sua relação com o mar e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de moradores e visitantes. A realização de oficinas em todas as localidades promoveu a ampla participação dos moradores na elaboração do plano, que destaca elementos de suas vidas cotidianas e, ao mesmo tempo, promove a mitigação de fatores que precarizam este território.
Respeitando as características peculiares da Ilha de Maré, o plano incluiu a criação de sistemas de saneamento adaptados à sua realidade, a preservação das estruturas ambientais e a implantação de infraestrutura e equipamentos urbanos nas comunidades. Também foram abordadas a regularização fundiária das ZEIS e localidades conexas e a criação de oportunidades socioeconômicas e culturais para os residentes. As propostas indicadas no Plano correspondem a duas escalas de abordagem: a Ilha de Maré como um todo e os territórios das diferentes localidades. Dentre estas, destacam-se:
- Recuperação ambiental, de modo a tornar a Ilha de Maré uma referência em sustentabilidade, considerando, inclusive, a adaptação às mudanças climáticas.
- Melhoria da malha viária, interligando as 12 localidades de forma mais eficiente e adequando as vias existentes ao tráfego dos tipos de veículos já utilizados, sem a introdução de novos veículos automotores, que poderiam trazer danos ao ecossistema da ilha.
- Adequação do transporte marítimo, integrando-o ao sistema de transporte público do restante do município, com a melhoria dos atracadouros existentes e a criação de novas estruturas na ilha.
- Criação de espaços de produção para fortalecer as atividades de pesca e mariscagem.
- Melhoria da estrutura voltada às atividades turísticas.
- Valorização dos espaços e monumentos de importância cultural e paisagística.
- Provimento de equipamentos e espaços públicos adequados ao convívio social, à prática de esportes e ao lazer em todas as comunidades.
- Ampliação do serviço público de atendimento à saúde.